Açúcar - Doce veneno

Açúcar - Doce veneno

O açúcar é um termo genérico para carboidratos cristalizados comestíveis, principalmente sacarose, lactose e frutose. Especificamente, monossacarídeos e oligossacarídeos pequenos. A principal característica é o seu sabor adocicado.


AÇÚCAR ENVELHECE


O açucar refinado é processado a partir do melado de cana. O produto, inicialmente marrom, recebe adição de gás sulfídrico e outras substâncias químicas para ficar claro. Nesse processo perde vitaminas e minerais, além de roubar vitaminas e minerais estocados no organismo prejudicando o funcionamento de nossas células e tecidos.


Quando a proteína do sangue, a hemoglobina (glóbulo vermelho) junta-se com a glicose ocorre um processo chamado de glicação, semelhante a calda caramelizada que se faz na culinária. Com isso, ocorre uma deficiência da oxigenação já que a hemoglobina não carrega tão bem o oxigênio quanto antes, essa hipóxia leva ao envelhecimento celular.


Se juntarmos a proteína do leite e açúcar e aquecer essa mistura no fogão, logo surgirá o caramelo. Algo parecido ocorre em nosso corpo, o que danifica as células e favorece o aparecimento de doenças.


Desde os anos 80 percebe-se que esse processo de interação está ligado ao processo de envelhecimento e surgimento de doenças como o Alzheimer, Parkinson e mesmo as rugas, tão comum na velhice. Isso ocorre devido a perda de elasticidade e flexibilidade das nossas células causada pela caramelização de suas proteínas.


DOCE VENENO


Dr. Robert Lustig , um endocrinologista pediátrico da Universidade da Califórnia, é um pioneiro na guerra contra o açúcar. Motivado por seus pacientes – muitas crianças doentes e com obesidade – conclui que mais do que qualquer substância, o açúcar é o grande culpado.  Obesidade, Diabetes tipo II, hipertensão e doenças cardiovasculares, e, ainda afirma que 75% dos casos poderiam ser evitados com a redução do consumo dessa substância.


O pesquisador afirma que desde 1970 o consumo de açúcar caiu 40%, mas o xarope de milho rico em frutose fez mais do que a diferença. Está contido em quase todos os produtos industrializados que consumimos hoje e, como o açúcar, é igualmente tóxico, devido sua alta concentração de frutose.


Diferente da frutose que encontramos nas frutas, carregadas de fibras que retardam sua absorção e consumo –  já que ninguém comeria 10 laranjas de uma vez – o xarope de milho rico em frutose está sendo consumido desenfreadamente, já que é mais barato para refinar e produzir. Americanos consomem 60kg por pessoa por ano. O que significa use 1,5kg por dia. Se olharmos os rótulos dos produtos que consumimos e que nossos filhos consomem, encontraremos o xarope rico em frutose em um dos primeiros da lista de ingredientes.


Um estudo feitos por Kimber Stanhope, bióloga da Universidade da Califórnia, ligou o consumo do xarope de milho rico em frutose ao aumento dos fatores de risco para doenças cardíacas e derrames. Ela sugere que as calorias adicionadas pelo açúcar são diferentes das calorias provenientes de outros alimentos. Novamente precisamos ressaltar que as calorias não são todas iguais!!


A bióloga fez um experimento com pessoas que viveram em uma ala de hospital durante semanas seguidas, sob uma espécie de 24 h de confinamento. Passaram por avaliações e exames de sangue, todas as calorias ingeridas eram preparadas e pesadas. Nos primeiros dias os participantes consumiram uma dieta baixa em açúcar e carboidratos e os níveis basais de sangue foram coletados. Em seguida, 25% de suas calorias foram substituidas por bebidas adoçadas e mais amostras foram coletadas a cada 30 minutos. Os resultados dessas análises foram assustadores: níveis de colesterol LDL aumentados bem como outros fatores de risco para doenças cardiovasculares, em uma velocidade incrível, em duas semanas apenas. Quando uma pessoa consome alguma coisa doce, o fígado fica sobrecarregado com frutose e converte um pouco disso em gordura, parte dessa gordura vai para a corrente sanguínea e se aglomeram formando o colesterol LDL que se aloja nos vasos sanguineos formando placas”, diz a bióloga.


AÇÚCAR E CÂNCER


Lewis Cantley, um professor de Harvard e chefe do Beth Israel Deaconess Cancer Center, está observando a conexão entre o consumo do açúcar ao desenvolvimento de câncer. Ele afirma que quando comemos ou bebemos açúcar provocamos um aumento repentino do hormônio insulina, que pode servir como um catalisador para estimular certos tipos de câncer.


Um terço de aguns tipos de câncer mais comuns incluindo mama e cólon, tem algo chamado receptores de insulina em sua superfície. A insulina se liga a esses receptores e sinaliza o tumor para começar a consumir glicose. Cada célula do nosso corpo precisa de glicose para sobreviver, mas o problema é que essas células cancerosas também usam a glicose para crescer. Eles desenvolveram a capacdade de sequestrar a glicose que vai da corrente sanguinea para o próprio tumor que se alimenta e cresce cada vez mais.


AÇÚCAR VICIA


O açúcar é muito mais viciante do que se pensava antigamente. Eric Stice um neurocientista do Instituto de pesquisa do Oregon, está usando ressonância magnética funcional, para aprender como nossos cérebros respondem a doçura e descobriu que ele ativa nosso cérebro de maneira especial, assim como a cocaína ou heroína agem. Nas pesquisas obervaram que assim que o refrigerante toca a língua, um maior fluxo de sangue corre para algumas regiões do cérebro e ocorre liberação de dopamina igualmente a resposta à drogas e ao alcool, e aparece o efeito eufórico.


O professor diz que após ter avaliado centenas de voluntários, descobriu que pessoas que tomam bebidas açúcaradas ou comem muito açucar, desenvolvem  uma intolerância, isso significa, que quanto mais o individuo come, menos sente essa sensação de euforia acontece e precisa de mais e mais para ter essa sensação  de antes (5). O açúcar pertence a mesma lata de lixo do alcool e do cigarro e precisa ser combatido.






Texto escrito por Luciana Gallinaro – Bióloga – CRBIO 100442. Fellowship em Envelhecimento Celular e Medicina Regenerativa –  BARM –  A4Medicine – USA. A reprodução deste e qualquer outro conteúdo desenvolvido pela Five Diamonds só é permitida mediante crédito da fonte.



REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS




  1. https://www.ucdmc.ucdavis.edu/ctsc/documents/CTSCNewsletter_Spring_2012.pdf

  2. Dietary Sugars Intake and Cardiovascular Health – A Scientific Statement From the American Heart Association. Circulation. 2009; 120: 1011-1020

  3. https://www.specialtyhealth.com/html/pdf/Science%20obesitycancer%20connection%20112.pdf

  4. (Relative ability of fat and sugar tastes to activate reward, gustatory, and somatosensory regions. The American Journal Of Clinical Nutrition.2013.- ahttp://www.ori.org/scientists/eric_stice#sthash.JmDLSAqH.dpuf

  5. The contribution of brain reward circuits to the obesity epidemic. Neuroscience & Biobehavioral Reviews. Volume 37, Issue 9, Part A, November 2013, Pages 2047–2058 .